Maria Paula Moscardini
Confesso que o céu ainda não escureceu, mas meus pensamentos típicos de madrugada já bateram a minha porta, que como meu coração, permanece aberta. Faz frio aqui dentro, e como todas as vezes que não te tenho comigo, volto a pensar em nosso futuro, um pouco fantasiado, brincado, pronto a ser transformado em realidade. Ainda costumo fantasiar o verão lá fora nos convidando a sair, imagino tuas caras me convidando a curtir, mas meu resfriado, coitado, responderia por mim. Resolveríamos então montar uma barraca qualquer no canto direito de nossa sala de estar. As crianças correriam feito loucas ao nosso redor, seriam colocadas para dormir ao nosso lado. E então, quando a madrugada realmente chegasse, correríamos felizes para o nosso bom e velho quarto, onde não precisaríamos de filme ou cobertor, apenas a presença do outro nos faria bem. Juro que não te cobraria presentes caros, carros de luxo, palacetes à beira mar. Não precisaríamos sair todos os dias, gastar o salário do mês, rodar o mundo quando o final de semana chegar. Querido, o amor não precisa de contratos, eu só te queria ao meu lado, quando a noite chegasse, quando o frio batesse. Eu só queria ter alguém para olhar e finalmente saber, que a solidão passara. Preciso apenas te ter, aqui perto, deitado, cochilando, dizer-te-ei então que te tenho, e assim, só assim, dormiria feliz. Ao teu lado, até que os dias acabassem, que o tempo parasse. Seríamos eternos, eternos como o amor